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Diversos fatores ‘travam’ vendas da safra nova de soja no Brasil

18, Jul de 2019
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Carla Mendes, do Notícias Agrícolas

 

Se nos Estados Unidos o atraso do desenvolvimento das lavouras de soja preocupa, no Brasil o que chama a atenção é o atraso dos negócios da nova safra, que se mostram mais lentos do que a média dos últimos anos, conforme informação do site Notícias Agrícolas. Uma combinação de fatores que ainda são muito incertos mantém os sojicultores ausentes do mercado neste momento e aguardando por oportunidades que possam trazer, principalmente, melhor renda.

 

Nas últimas semanas, a volatilidade na Bolsa de Chicago e mais um recuo expressivo do dólar acabaram por resultar em um novo quadro de pressão sobre o mercado brasileiro, principalmente no preço futuro da soja. Depois de superar os R$ 4 há alguns meses, a moeda norte-americana voltou à casa dos R$ 3,70, refletindo a evolução da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

 

Ao mesmo tempo, a volatilidade na Bolsa de Chicago também sobre as referências, com o mercado se ajustando, quase que diariamente, a todos os cenários atípicos que este ano vêm sendo observados na safra norte-americana. As condições das lavouras são bastante ruins, o desenvolvimento atrasado pode levá-las a um período onde as condições de clima não são favoráveis às plantas e os mapas climáticos trazer uma novidade a cada atualização.

 

No Brasil, as mudanças no Plano Safra, a restrição no volume de crédito e um ano que também traz uma série de mudanças no quadro político e econômico contribuem para esse avanço mais contido das vendas antecipadas. Como explicou o diretor do Sindicato Rural de Cascavel/PR, Modesto Félix Daga, não faltou verba para o custeio da safra, mas a aprovação dos recursos se mostrou mais lenta este ano.

 

Os custos de produção mais altos também são mais um componente deste quadro. Ainda segundo Daga, os fertilizantes estão bem mais caros este ano, principalmente aqueles à base potássio, bem como os fungicidas. O óleo de diesel é mais um ponto de atenção e de encarecimento dos custos da nova temporada.

 

A logística é mais uma preocupação. Com o tabelamento ainda vigorando, o valor dos fretes segue incerto e isso mantém os negócios lentos e pontuais. “Essa tabelamento é o produtor quem vai pagar, o valor pode encarecer e é por isso também que o produtor está inseguro em relação ao preço futuro. E isso mantém a fixação da nova safra ainda bem fraca”, diz o diretor do Sindicato Rural.

 

Para José Eduardo Sismeiro, diretor da Aprosoja Brasil, o cenário para este início de nova safra é “bastante desanimador” neste momento. Segundo ele, os custos maiores agora diante de um dólar mais baixo - que provoca uma baixa nos preços de venda - vai prejudicar muitos produtores.

 

Assim, Sismeiro alerta para a necessidade que o sojicultor terá de garantir uma boa produtividade este ano para poder compensar seus gastos e investimentos. “Será preciso muita soja para pagar os custos. Para o arrendatário, isso preocupa ainda mais. Sem falarmos de custos totais, serão ao menos 45 sacas por hectare (ao referir-se sobre sua região em Goioerê, no Paraná) somente de custo”, diz.

 

O diretor da Aprosoja BR não destaca somente a alta dos insumos, mas também a alta carga tributária e o incremento nos custos de maquinários. E afirma, “estão todos com os mesmos problemas, as mesmas preocupações. Antigamente, se colhia menos, mas se vendia melhor. Hoje colhemos mais, mas a dificuldade de se vender bem é maior”.

 

Complementando, Sismeiro fala ainda que os juros mais altos do Plano Safra são outro ponto de atenção e preocupação, uma vez que essa ‘dificuldade’ acaba por reduzir a competitividade do produtor brasileiro. Concluindo, lembra ainda dos gargalos que o mecanismo nacional de seguro agrícola ainda enfrente, ao mesmo tempo em que produtores americanos recebem subsídios do governo e podem, ao menos, garantir o mínimo de sua renda.

 

Sobre a demanda, o país permanece como principal fornecedor do maior comprador mundial da oleaginosa e com boas perspectivas na exportação. Apesar disso, o produtor sabe que o conflito comercial entre China e Estados Unidos, que trouxe quase toda a demanda da nação asiática para o Brasil, mantém uma pressão significativa sobre os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago.

 

Para o diretor do Sindicato Rural de Sorriso/MT, Luimar Gemi, mais uma preocupação: o clima para a próxima safra. “Quando será o início das chuvas? Conseguiremos fazer o plantio dentro da janela ideal. Os produtores se perguntam isso também neste momento”, diz ele. No maior Estado produtor de soja do Brasil, ainda segundo Gemi, as preocupações são as mesmas, bem como as dúvidas e incertezas, e “com isso, temos um dos menores volumes de venda futura fixado dos últimos anos”.

 

“Os níveis estão bem abaixo do que os produtores estão pedindo, os preços ainda não são satisfatórios. E os produtores também estão preocupados com o câmbio e com os prêmios. Precisamos de boa produtividade e, para se ter boa produtividade é preciso investir na lavoura, além do básico. Mas o que se vê este ano é o produtor fazendo o básico, e isso vai trazer uma produtividade limitada”, relata o diretor.